Aprendendo a fazer boas perguntas

O nosso Conhecer, Pensar, Refletir, Aprender, Decidir, Conectar depende essencialmente de perguntas. Perguntas que fazemos a nós mesmos e perguntas que fazemos aos outros.

As portas do Conhecimento, da Conexão, da Reflexão e da Decisão são abertas através de perguntas. Pensar é basicamente um processo de fazer perguntas e responder as perguntas. Desde perguntas simples como “O que vou vestir hoje?” a perguntas mais complexas como: “Que resultados quero alcançar com a reunião?”; “Que oportunidades eu tenho hoje e estou deixando de explorar?”; “O que irá acontecer se…?

Boas perguntas resultam em boas respostas. Para obtermos melhores respostas precisamos, portanto, saber fazer boas perguntas. O renomado pesquisador e professor da Columbia University em Nova York, Isidor Isaac Rabi, – laureado com o Prêmio Nobel de Física – relata em suas memórias que deve à mãe sua carreira científica por ela ter-lhe estimulado a fazer boas perguntas. Lembra o Prof. I. Rabi que no bairro Brooklyn em que morava, depois das aulas na escola, as mães geralmente perguntavam aos filhos “O que você aprendeu hoje?”. Mas a mãe do Isidor Rabi, diariamente lhe perguntava: “Você fez uma boa pergunta hoje, Izzy?”. Explica Isidor Rabi que esta diferença – fazendo boas perguntas – fez dele um cientista.

A raiz do conhecimento é o ato de perguntar. É o ato de se maravilhar. É a curiosidade de se indagar e perguntar. As perguntas proporcionam descobertas, novos conhecimentos, abrem novos horizontes. As perguntas nos inspiram, alargam nossa visão atual e nos levam a soluções, a novas maneiras de enxergar e de compreender a vida.

O Poder das Perguntas

As perguntas têm um poder não expresso. Cada pergunta possui um poder que não está na sua resposta. As perguntas têm um impacto antes de serem respondidas.

As perguntas nos fazem pensar. Elas focam nossa atenção. Elas nos levam a uma determinada dimensão em vez de uma outra. Elas podem nos apontar para o caminho da compreensão e ação. Elas podem fechar portas ou acender uma luz. Elas podem intensificar um conflito ou criar pontes.

 

As perguntas nos fazem pensar.

- Quais são as atividades mais críticas da minha função?

- Quais as opções que temos para resolver este problema?

 

As perguntas focam nossa atenção.

- Como está o nível de estoque da Linha 3?

- Você observou a maneira de examinar os relatórios do novo gerente?

 

As perguntas nos levam a uma determinada dimensão em vez de uma outra

- Ao invés de pensarmos apenas “como aumentar a demanda dos nossos atuais produtos nos nossos atuais segmentos de mercado”, que tal também pensarmos “que novos produtos podemos desenvolver e oferecer a novos segmentos de mercado”?

- Ao invés de nos perguntarmos “que custos podemos reduzir” que tal perguntarmos ”qual é a nossa vantagem diferencial competitiva e onde poderíamos ter sucesso”?

 

Elas podem nos apontar para o caminho da compreensão e ação.

- Que ações e mudanças preciso adotar para melhorar ainda mais o meu relacionamento com os meus colegas e chefia?

- Quais necessidades minha equipe tem que hoje eu não estou atendendo?

 

Elas podem fechar portas.

- Por que ele é tão imaturo e despreparado?

- Como posso confiar em alguém que sempre mente?

 

Elas podem acender uma luz.

- Quais as melhorias que poderia implementar no meu produto além das já oferecidas?

- Como meus colaboradores poderão contribuir ainda mais com suas competências e esforços para o sucesso da empresa?

 

Elas podem intensificar um conflito.

- Como podemos nos vingar?

(Toda pergunta abriga uma premissa ou pressuposição que frequentemente está velada. “Como podemos nos vingar?” afirma mais do que pergunta.)

- O que posso fazer para torná-lo ainda mais vulnerável?

- Quem é o culpado?

 

Elas podem criar pontes.

- Como posso ajudar? Que aspectos nos unem? O que temos em comum?

- Quais maneiras e mecanismos podemos criar para que as nossas diferenças convivam bem?

- Como podemos prevenir que isto aconteça novamente?

 

A Escolha Correta das Perguntas

Saber fazer boas perguntas é essencial para uma boa comunicação.
Precisamos estar atentos e cuidadosos sobre os propósitos das perguntas que fazemos. Questionar a nossa motivação nas perguntas que fazemos. Precisamos fazer perguntas construtivas (a nós e aos outros). Não fazer perguntas que tendem a levar a conversação em direções destrutivas. Precisamos fazer perguntas que apoiam e encorajam. Perguntas que criam ou restauram confiança. Perguntas que nos fortificam e impulsionam a ações positivas. Perguntas que promovem recuperação e reconciliação. Perguntas que nos inspiram a superar obstáculos e atravessar barreiras. Perguntas que constroem pontes e nos fazem avançar. Perguntas que abrem novas perspectivas e caminhos. Perguntas que iluminam e nos energizam. Em síntese, precisamos valorizar, privilegiar e fazer sempre que apropriado perguntas poderosas e impactantes.

Perguntas Poderosas e Impactantes

Uma pergunta poderosa e impactante é aquela que foca nossa atenção e nos envolve. É uma pergunta que altera todo o pensamento e comportamento que ocorre posteriormente. Uma pergunta que ajuda a pessoa a se mover para frente.

É uma pergunta que faz pensar e convida à reflexão e à busca de um significado mais profundo. Estimula a curiosidade e a criatividade. Convida à exploração, introspecção e ampliação de possibilidades. Expande perspectivas. Clarifica suposições e traz à luz pressupostos subjacentes.

Por melhor que seja a pergunta, ela sempre pode ser melhorada e transformada em uma pergunta ainda mais poderosa e impactante.

Vejamos abaixo três perguntas:

- O que você tem hoje na sua Lista de Tarefas a Realizar?

- Por que você fez isto?

- Como podemos trabalhar melhor como equipe?

Vamos transformá-las em perguntas ainda mais poderosas e impactantes:

- Quais são as três principais tarefas da sua lista que terão maior impacto quando finalizadas?

- Quais foram seus pressupostos ao fazer isto? O que você esperava que ocorresse? O que você não esperava que ocorresse?

- Como podemos nos apoiar e nos ajudar mutuamente nos próximos passos a serem tomados? Quais contribuições únicas cada um de nós pode trazer?

Como podemos desenvolver a Arte de Fazer Boas Perguntas?

Primeiramente prestando atenção às perguntas que formulamos e ao seu impacto sobre o nosso interlocutor e as respostas que ele dá. É também prestando atenção sobre as perguntas que recebemos e o impacto que elas têm sobre nós e as respostas que damos.

Para fazer boas perguntas precisamos antes de mais nada ser bons ouvintes e para isto é necessário praticar o que se convencionou chamar de “escuta ativa”.

Na prática da “escuta ativa” toda a nossa atenção está focada no nosso interlocutor:

- mantemo-nos tranquilos e sem inquietação, não apressando nosso interlocutor;

- colocamo-nos no lugar do nosso interlocutor, procurando compreender o mundo dele como ele o vê, compreender a sua lógica;

- ouvimos sem fazer nenhum julgamento de valor, objetivando permitir que o nosso interlocutor exponha completamente o assunto;

- fazemos perguntas de clarificação para compreender mais e melhor;

- parafraseamos o que o nosso interlocutor está dizendo, isto é, dizemos com outras palavras o que estamos entendendo para nos assegurar da nossa plena compreensão.

A nossa atitude na escuta ativa é procurar simplesmente compreender, não responder e muito menos aconselhar.

A escuta ativa é fundamental para fazer boas perguntas. Somente vou poder fazer boas perguntas se de fato eu estiver escutando ativamente e portanto compreendendo plenamente o meu interlocutor.

Uma outra prática necessária para aprender a fazer boas perguntas é formular e reformular as perguntas por escrito. Indagar-se sempre “Como eu poderia ter melhorado esta pergunta?”; “Quais perguntas eu poderia ter feito e não fiz?”

Fazer boas perguntas implica ter um bom raciocínio lógico, pensamento conceitual e pensamento crítico.

Pensar Criticamente implica em verificar se a qualidade de pensamento de uma questão ou assunto explanado atende os critérios ou padrões de qualidade que são: Clareza, Veracidade, Precisão, Relação, Profundidade, Amplitude, Lógica, Importância.

Abaixo damos alguns exemplos de perguntas em cada um dos critérios mencionados para verificar a qualidade de pensamento de uma questão ou assunto.

Clareza: Você poderia elaborar mais? Poderia me dar um exemplo?

Veracidade: Como podemos determinar a veracidade disto? Como podemos verificar suas declarações?

Precisão: Você poderia ser mais específico? Você poderia fornecer mais detalhes?

Relação: Como isto se relaciona com a questão? Como isto está alinhado com a pergunta?

Profundidade: Quais são algumas das complexidades desta questão? Que fatores precisam ser considerados?

Amplitude: Precisamos considerar outro ponto de vista? Precisamos examinar isto por uma perspectiva diferente?

Lógica: O que você está dizendo é coerente com a evidência? Tudo o que você está mostrando e dizendo faz sentido?

Importância: Esta é a ideia central? Esta é a questão mais importante que deve ser considerada?

Mudando as nossas perguntas mudaremos a nossa vida

A maneira como vemos o mundo e como vivemos a nossa vida é reflexo dos nossos pensamentos, que por sua vez são reflexo das nossas perguntas. Mudando as nossas perguntas, mudaremos o nosso pensamento e consequentemente a nossa atitude, comportamento e ações.

Ao mudar as nossas perguntas que fazemos a nós mesmos e aos outros mudaremos a nossa relação conosco mesmos e com os outros e consequentemente mudaremos a nossa vida.

Se prestarmos mais atenção aos nossos pensamentos e às nossas perguntas, e fizermos a nós mesmos e aos outros perguntas construtivas, poderosas e impactantes certamente iremos mudar para melhor a nossa vida e o nosso relacionamento conosco mesmos e com os outros.

É sempre oportuno lembrar que não há nada mais inútil, senão perigoso, do que ter uma resposta certa a uma pergunta errada. As perguntas corretas atuam como luzes que nos dão a capacidade de ver e ir mais longe além da sucessão de acontecimentos do nosso dia após dia. Somente as perguntas corretas nos levarão a respostas corretas. Somente as perguntas e respostas corretas irão nos dar a correta clarificação, compreensão e direção às nossas vidas.

 

Autor e Fonte:

Boris R. Drizin, Diretor da TIMING DESENVOLVIMENTO EMPRESARIAL
Mestre e Doutor em Administração pela EAESP/FGV
http://www.timingdesenvolvimento.com.br/category/publicacoes/artigos/todos-artigos/

Este artigo faz parte do material didático e do workbook distribuído no Curso Comunicação Eficaz no Trabalho, promovido pela TIMING DESENVOLVIMENTO EMPRESARIAL.

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